Infância na Infância
     
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28/06/2009 a 04/07/2009
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Infância na Infância

         O Governo Federal, através do Ministério da Educação, começou a implementar, em 2004, um programa de ampliação do ensino fundamental para nove anos. Em vez de estudar até a oitava série, os alunos estudarão até o nono ano, porém, não sairão com mais idade do ensino fundamental, ao contrário, entrarão com menos: em 2010, as crianças com seis anos de idade deverão ingressar, obrigatoriamente, no primeiro ano do ensino fundamental e não mais na pré-escola.

         Esse caminho, de pautar projetos procurando qualidade na quantidade, já é longo na educação brasileira. E justifica-se nas dimensões deste país. Uma educação democrática, no Brasil, é necessariamente numerosa. Esse norteamento por quantidades, no entanto, pode nos levar a disfunções sociais desagradáveis, dramáticas e até trágicas.

         As crianças aprendem nas circunstâncias em que se envolvem naturalmente. Numa seqüência de movimentos, identificam, comparam, acionam músculos e nervos, tocam a realidade. As crianças precisam de um tempo para se ajustarem ao mundo em que estão vivendo. Ganham noção de distância, peso, tamanho, volume, densidade, textura, temperatura. Depois desse período, elas podem artificializar o seu dia-a-dia. Ter hora para almoçar, brincar, assistir à televisão, dormir. Quando se sentem ajustadas à realidade, as crianças passam a ter outras necessidades, por exemplo, de ler e de escrever.

         As crianças, contudo, precisam estar prontas para aprender a ler e escrever. É necessário que tenham encerrado a fase anterior para que o processo de alfabetização não seja um perturbador da ordem natural do indivíduo.

         Cada criança tem o seu próprio tempo. Não existe uma idade predeterminada para que se passe de uma fase a outra. Melhor seria se cada criança pudesse optar pela idade em que se incluiria num programa de alfabetização. Que os pais pudessem resolver, com os filhos, qual a melhor idade para abandonar as circunstâncias naturais e se colocar num mundo adulto e sistematizado. Os responsáveis pela educação pública deviam dar uma idade máxima para ingresso na escola e não uma idade mínima.

         São muitos os exemplos de crianças que tiveram sua infância mutilada por conta de receios, ambições ou tragédias e não conseguiram compensar as carências advindas de uma infância insuficiente. O cantor norte-americano Michael Jackson, por exemplo, começou a fazer sucesso, discos e shows aos cinco anos de idade. Quando conquistou sua independência financeira e dos pais quis reaver sua infância. Construiu um parque de diversões em sua casa, na Califórnia, e para lá trazia crianças a fim brincar. Pedofilia? Não sei, mas sei que sofre uma carência profunda justamente porque não teve as mesmas oportunidades de uma criança comum para brincar, jogar, quebrar, brigar, xingar, bater, apanhar, comparar, perdoar, fazer e desfazer pequenas saudades...



Escrito por Mário César Rodrigues às 19h59
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